Poços artesianos em condomínios

Reportagem do site Noticias Condominais

Cavar um poço no condomínio é uma obra rápida. Perfura-se um poço de 300 metros de profundidade em quatro dias. A economia na conta de água e a rapidez da obra despertam o interesse de muitos condomínios para a utilização dessa alternativa no sistema de abastecimento de água. Entrevistamos Eduardo Bertolazzi, administrador do Residencial Shangrilá e Walter Lamb, geólogo responsável da empresa Iguaçu Poços Artesianos, para dar suas opiniões e compartilhar experiências sobre o assunto.

1 – Qual é a vantagem de se ter poço semi-artesiano no condomínio?
Res.Shangrilá: Tomando como premissa que não existe água pública, portanto existe a necessidade de se ter um poço, a vantagem é que a água do poço artesiano requer menos produtos quimicos para seu tratamento do que a água captada de mananciais (na maioria das vezes muito poluidos).
Iguaçu Poços : A vantagem é que você consumira uma água de qualidade indiscutível, além da enorme economia em relação à conta de água da SANEPAR.

2 – Qual é o custo para implantação de um poço em média?
Res.Shangrilá: Um poço semi-artesiano de aproximadamente 150 metros de profundidade custa em média R$ 50.000 em Campinas.
Iguaçu Poços : Um poço de 100 metros, com todos os equipamentos, jogando água na boca do poço, irá custar em torno de R$ 16.000,00 a R$ 17.000,00 aqui no Paraná. Fica por conta do cliente a instalação da rede de água da boca do poço até no reservatório (caixa d’água).

3 – Quais fatores influenciam no valor da instalação do poço?
Res.Shangrilá: O maior custo é a perfuração, quanto mais profundo o poço, maior seu valor final.
Iguaçu Poços : O principal fator que influencia na instalação de um poço é a profundidade, pois no orçamento todo o equipamento é cotado em relação a vazão (consumo) do poço de 100. Caso seja necessário perfurar mais do que 100,00 m, há a necessidade de se rever os valores do poço, pois tanto a perfuração como o equipamento de bombeamento irão sofrer reajuste.


4 – Qual é a economia gerada para o condomínio?
Res.Shangrilá: Em termos financeiros, não há ganhos significativos do que se tivesse água publica. Ganha-se na qualidade da água.
Iguaçu Poços :A principal economia é em relação ao custo que o condomínio paga de água para a SANEPAR. Este investimento paga o poço em menos de 1 ano.

5 – Como o condomínio pode avaliar a qualidade da água e a existência de um lençol freático na área do condomínio?
Res.Shangrilá: Para saber da existencia de lençol freático é necessario fazer um estudo geofísico. Após a perfuração do poço, o condominio passa a fazer um monitoramento diário e mensal, através de análises fisico-quimicas e microbiológicas.
Iguaçu Poços : A qualidade da água só poderá ser avaliada após a perfuração do poço, através da análises físico-química e bacteriológica . A empresa é responsável apenas por garantir que não hajam problemas bacteriológicos de qualidade da água em relação a construção do poço. Problemas por exemplo de excesso de Flúor na água, são características do meio geológico onde a mesma se encontra e não um problema de perfuração. Podem haver, embora muito raros, problemas de contaminação da água do poço construído para o seu condomínio, proveniente de outros poços artesianos, mal construídos por outras empresas e que utilizam o mesmo lençol subterrâneo. Sobre a existência do lençol subterrâneo, está condicionada a presença de fraturas (fendas, rachaduras) nas rochas ou zonas vesiculares (furos na rocha semelhantes a uma esponja). São através destas estruturas que a água circula e é armazenada. Se tais estruturas não forem encontradas durante a perfuração ou a água não conseguir atingí-las, o poço será improdutivo (seco). Não há equipamento desenvolvido pelo homem capaz de encontrar água nas rochas de maneira 100% eficiente. Em relação a cidade de Cascavel, o potencial para água subterrânea é muito grande. Dos 460 poços perfurados por nossa empresa no município, apenas 3 foram considerados improdutivos.

6 – Com a abertura do poço, o condomínio se torna isento da nova lei de cobrança individual da água através da instalação de hidrômetros?
Res.Shangrilá: Não, toda a água de dominio publico é taxada.
Iguaçu Poços : Não. O condomínio estará sujeito um dia a cobrança. No momento ela ainda não é feita no Paraná e a isenção do pagamento dessa taxa provavelmente se dará em função do consumo de cada usuário. A implementação dessa cobrança deverá ser definida pelos comitês formados para cada grande bacia hidrográfica . Por exemplo, o município de Cascavel está incluído em três bacias, dos rios Paraná, Iguaçu e Piquiri. Enquanto dentro de uma bacia, estará condicionado às exigências do referido comitê. A instalação de hidrômetros e horímetros está relacionada mais a uma exigência da concessão de outorga do que de cobrança do consumo de água. Na emissão da Portaria de Outorga, que é uma concessão de uso que o Governo do Estado confere a todos os usuários de poços, há uma exigência que obriga a instalação destes dois equipamentos apenas para controle do consumo de água, para que não haja desperdício de água e que as pessoas utilizem apenas da quantidade informada pelo o governo.
Nota: Os condomínios que possuem poço artesiano devem ter licença concedida pela CPRH (Agência Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos ), outorga do uso da água , realizar análise periódica e uma vez por providenciar uma limpeza química do poço. Já a empresa responsável pela perfuração deve ter registro no CREA – Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura , um geólogo responsável pela obra e um seguro para cobrir eventuais acidentes de trabalho. A concessionária de água instala um hidrômetro para medir apenas os resíduos que são jogados para a tubulação e o condomínio continua ainda pagando a taxa de esgoto.

7 – Existe alguma taxa cobrada para quem tem poço em condomínio?
Res.Shangrilá: A outorga (licença de exploração) e a taxa de uso de água de domínio público.
Iguaçu Poços : A cada 5 anos, a outorga deve ser renovada e a taxa de renovação é de R$ 291,00 em 2007.

8 – Existe alguma fiscalização?
Res.Shangrilá: Sim, o D.A.E.E. (Departamento de Água e Energia Elétrica) fiscaliza regularmente e através de denuncias a Anvisa (Agencia Nacional de Vigilancia Sanitaria) fiscaliza a qualidade final da água e o manejo do poço.
Iguaçu Poços : A fiscalização é muito rara de acontecer, mas quem a faz é a SUDERHSA – Superintendência de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental.

9 – Qual a estrutura exigida para substituição da água das concessionárias por poços artesianos?
Res.Shangrilá: Quanto a estrutura fisica, é necessario ter um reservatório, bombas de recalque, rede de distribuição e hidrômetros nos pontos finais. Quanto ao controle da qualidade, é necessario ter um quimico responsavel, que faz análises diarias. É necessário também fazer análises mensais, em laboratórios oficiais, além de emitir relatórios a vigilância sanitária e informes aos condôminos.
Iguaçu Poços : Na verdade, após a perfuração do poço, basta apenas fazer um pedido a SANEPAR para pagamento de uma taxa mínima de água ou o corte total da ligação de água.

10 – Qual o investimento na estação de tratamento de água?
Res.Shangrilá: Depende da escala, mais com certeza não será barato. Depois de construido, o custo é basicamente com a manutenção do sistema e com o químico responsável.
Iguaçu Poços : Sobre valores da estação de tratamento de água, sugiro falar com a empresa BRASÁGUA de Cascavel pelo telefone 45 3218-5151 ou no site www. brasagua.com

11 – Como é feito a manutenção do poço artesiano e da estação de tratamento de água?
Res.Shangrilá: O que determina a limpeza e desinfecção de um poço, é o resultado da análise físico química e bacteriológica do poço, normalmente a cada 06 meses. Já os reservatórios uma vez por ano.
Iguaçu Poços : Em relação ao poço artesiano, nossos equipamentos de bombeamento têm uma vida muito prolongada. O poço pode ficar 10, 15 até 20 anos sem que ocorra qualquer problema com a bomba. No máximo pode haver a queima de um fusível no painel da bomba cuja substituição é de um valor muito baixo.

12 – Existe algum tipo de dano causado à natureza?
Res.Shangrilá: Todo uso consciente de um recurso natural, não causa dano a natureza, mas para isso é preciso respeitar a lei e todas as regras impostas, é preciso tambem que haja fiscalização dos órgão competentes, pois o mal uso de um, contamina o lençol freático que todos utilizam.
Iguaçu Poços : Um poço bem construído não oferece qualquer risco a natureza. Como nossos poços isolam totalmente a água do solo da água subterrânea, não há risco de contaminação do lençol subterrâneo. Quando perfuramos poços , nunca solicitamos a derrubada da vegetação para a construção do poço.
Nota: Segundo alguns pesquisadores, está ocorrendo uma super exploração dos aquíferos. A cada segundo são retirados dos rios e do subsolo no Brasil 840 mil litros de água / habitante , 40% desta água é desperdiçada, ultrapassando o padrão aceito internacionalmente, que é 20%.Nos lugares onde há muitas casa e asfalto os lençóis freáticos podem ressecar, porque não há como a água da chuva penetrar no solo para reabastecê-los.

Eduardo Bertolazzi é Administrador do Residencial Shangrilá – Campinas/SP
Walter Lamb é Geólogo responsável Iguaçu Poços – Cascavel/PR
Fotos cedidas pelo Residencial Shangrilá.



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