Trabalhos acadêmicos – Tese de Doutorado sobre poços artesianos
| Título original | “Avaliação da contaminação da água subterrânea de poços tubulares, por combustíveis fósseis, no município de Santo André, São Paulo: Uma contribuição à gestão ambiental” | ||||
| Autor | Mindrisz, Ana Copat | ||||
| acmindri@ipen.br | |||||
| Unidade | Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN) | ||||
| Área de concentração | Tecnologia Nuclear – Materiais | ||||
| Orientador | ¤ Pires, Maria Aparecida Faustino | ||||
| Banca Examinadora | ¤ Aquino, Afonso Rodrigues de ¤ Cutolo, Silvana Audrá ¤ Duarte, Celina Lopes ¤ Pires, Maria Aparecida Faustino ¤ Rezende, Maria Olimpia de Oliveira |
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| Data da Defesa | 19/06/2006 | ||||
| Palavras-chave | ¤ combustíveis fósseis ¤ poços tubulares ¤ postos de gasolina ¤ remediação ¤ Santo André |
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| Resumo Original | |||||
| A contaminação de águas subterrâneas por hidrocarbonetos provenientes de postos de abastecimento de combustível tem sido objeto de crescente preocupação dos organismos ambientais de todo o mundo. Os compostos Benzeno, Tolueno, Etilbenzeno e Xilenos (BTEX), presentes nesses combustíveis, são extremamente tóxicos à saúde humana e podem inviabilizar a exploração de aqüíferos por eles contaminados e conseqüentemente os poços utilizados para abastecimento. Neste trabalho, foi realizado um diagnóstico da qualidade da água, com informações e análises, com o objetivo de retratar a situação dos poços artesianos destinados ao abastecimento de água, doméstico e comercial, na área urbana do município de Santo André, São Paulo. Foram avaliadas a presença dos micro poluentes BTEX, após a ocorrência de vazamentos de gasolina de tanques de armazenamento de combustível próximos a estes poços, em diferentes locais do município. Foram avaliados também parâmetros físico-químicos (cor, turbidez e cloro residual) bem como os elementos-traço, metais e os ânions fluoreto, sulfato, cloreto, nitrato e fosfato, como também os bacteriológicos (coliformes totais e termotolerantes, bactérias heterotróficas). Na definição dos locais amostrados, procurou-se primeiramente avaliar a série histórica de contaminação ambiental por postos de gasolina, avaliando o conjunto de informações do órgão ambiental do Estado e a representatividade espacial do problema. Para gerenciamento da qualidade da água subterrânea foi adotada a metodologia utilizada pela Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (CETESB), sendo realizado uma identificação prévia de Áreas Potenciais (AP) de contaminação, organizando um banco de dados sobre lixões e locais abandonados; cadastramento dos postos de serviço e poços utilizados pela população e inventário industrial com plantas ativas e abandonadas, levando-se em consideração o porte e a geração de resíduos (com o SEMASA), dessa forma priorizando os locais de monitoramento. Foi feito um cadastro dos locais e realizada uma investigação preliminar das áreas suspeitas. A amostragem e o monitoramento foram realizados e os resultados foram comparados com os valores orientadores para água subterrânea estabelecidos pela CETESB. Os resultados mostraram que nos doze poços avaliados, não foram encontrados valores de BTEX acima do permitido pela Portaria 518/2004 do Ministério de Saúde, em que o teor máximo permitido para o benzeno é de 5 µg L-1. Foi observado que em três poços há contaminação por nitrato, que é responsável pela indução da metaemoglobinemia. Foram avaliados também os possíveis processos ou mecanismos de remediação natural (biodegradação) ou induzida. | |||||
| Título em Inglês | EVALUATION OF UNDERGROUND WATER CONTAMINATION OF TUBULAR WELLS, BY FUELS OIL IN SANTO ANDRÉ CITY, SÃO PAULO STATE: A CONTRIBUTION TO THE ENVIRONMENTAL MANAGEMENT | ||||
| Palavras-chave em Inglês | ¤ fuels oil ¤ gas station ¤ remediation ¤ Santo André ¤ tubular wells |
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| Resumo em Inglês | |||||
| The contamination of underground waters by hydrocarbons originated from gas stations has been object of increasing preoccupation in environmental organization all over the world. The organic compounds Benzene, Toluene, Ethylbenzene and Xylene (BTEX), present in these fuels, are extremely toxic to human health and could make impracticable the exploration of these contaminated waters by these kinds of pollutants and consequently the gasoline wells used for this purpose. In this work, it was carried out a diagnosis of the water quality with information and analyses, with the goals to snap shot the situation of the wells destinated to domestic and commercial supply of water in the urban area of Santo André city, São Paulo state. There have been evaluated the presence of micron pollutants BTEX, after contamination due to leaks in fuel storage tanks close to the wells, in different places of the city. The physical chemistry parameters like color, turbidity and residual chlorine were also evaluated as well as trace elements, metals, anions like fluorine, sulphates, chlorine, nitrates and phosphates and bacteriological (total coliphorms, themostable coliphorms, heterotrophic bacterias). On definition of the sampling area, it was sought, at first, the evaluation of environmental contaminations historical series by gas stations, evaluating the set of information available at government environmental organizations and spacial representativety of the problem. For administration of the underground water quality it was adopted the methodology used by Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (CETESB), being accomplished a previous identification of contamined potencial areas and organizing a data base on landfills disposal and negleted places; registration of gas station services and, wells used by the population, industrial inventory with active and negleted maps taking into consideration the size and residues generation (such as SEMASA), prioritizing in this way the monitoring places. It was made registrations of places and preliminary investigation of suspicious areas was accomplished. The sampling and monitoring were carried out and the results were compared with the standard values for underground water that are established by CETESB. The results showed that in the twelve wells evaluated were not found values of BTEX above the recommended by Law 518/2004 of the Health Ministry in which the allowed value for benzene is 5 µg L-1. It was observed that three of the twelve wells studied were contamined with nitrate, which is responsible for Methemoglobinemia induction. They were appraised also the processes or mechanisms of natural (biodegradation) or induced remediation. | |||||
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| Data de Publicação | 30/10/2006 | ||||
O que se deve exigir de uma empresa construtora de poços?
A empresa que presta serviços dessa natureza deve obedecer a certos critérios:
- Seguir as normas técnicas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), estar registrada junto ao CREA (Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia), com certidão de registro em vigor e profissional habilitado em seu quadro técnico, ser credenciada pela ABAS (Associação Brasileira de Águas Subterrâneas) e estar cadastrada pelo Órgão Regulamentador Ambiental do Estado em que possui sede.
Possuir Atestados de Capacidade Técnica, fornecidos por órgãos públicos ou empresas privadas;
- Apresentar uma declaração formal das instalações, dos maquinários e do pessoal técnico, no qual comprove a qualificação adequada e disponível para a realização dos serviços a executar;
- Recolher a Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, referente à obra contratada;
- Estabelecer um contrato de trabalho, onde constem discriminadas todas as etapas do serviço que será prestado. Tal contrato servirá de garantia para as partes, assegurando os direitos e deveres de cada uma;
- Estar capacitada a realizar perfilagens geofísicas para estabelecer o perfil construtivo do poço;
- Após a conclusão das obras, deverá emitir um relatório técnico, constando os seguintes itens: Localização, perfil geológico, perfil construtivo e perfilagem geofísica;
- Fornecer laudo físico-químico e bacteriológico da água.
Poços artesianos em condomínios
Reportagem do site Noticias Condominais
Cavar um poço no condomínio é uma obra rápida. Perfura-se um poço de 300 metros de profundidade em quatro dias. A economia na conta de água e a rapidez da obra despertam o interesse de muitos condomínios para a utilização dessa alternativa no sistema de abastecimento de água. Entrevistamos Eduardo Bertolazzi, administrador do Residencial Shangrilá e Walter Lamb, geólogo responsável da empresa Iguaçu Poços Artesianos, para dar suas opiniões e compartilhar experiências sobre o assunto.
1 – Qual é a vantagem de se ter poço semi-artesiano no condomínio?
Res.Shangrilá: Tomando como premissa que não existe água pública, portanto existe a necessidade de se ter um poço, a vantagem é que a água do poço artesiano requer menos produtos quimicos para seu tratamento do que a água captada de mananciais (na maioria das vezes muito poluidos).
Iguaçu Poços : A vantagem é que você consumira uma água de qualidade indiscutível, além da enorme economia em relação à conta de água da SANEPAR.
2 – Qual é o custo para implantação de um poço em média?
Res.Shangrilá: Um poço semi-artesiano de aproximadamente 150 metros de profundidade custa em média R$ 50.000 em Campinas.
Iguaçu Poços : Um poço de 100 metros, com todos os equipamentos, jogando água na boca do poço, irá custar em torno de R$ 16.000,00 a R$ 17.000,00 aqui no Paraná. Fica por conta do cliente a instalação da rede de água da boca do poço até no reservatório (caixa d’água).
3 – Quais fatores influenciam no valor da instalação do poço?
Res.Shangrilá: O maior custo é a perfuração, quanto mais profundo o poço, maior seu valor final.
Iguaçu Poços : O principal fator que influencia na instalação de um poço é a profundidade, pois no orçamento todo o equipamento é cotado em relação a vazão (consumo) do poço de 100. Caso seja necessário perfurar mais do que 100,00 m, há a necessidade de se rever os valores do poço, pois tanto a perfuração como o equipamento de bombeamento irão sofrer reajuste.
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4 – Qual é a economia gerada para o condomínio?
Res.Shangrilá: Em termos financeiros, não há ganhos significativos do que se tivesse água publica. Ganha-se na qualidade da água.
Iguaçu Poços :A principal economia é em relação ao custo que o condomínio paga de água para a SANEPAR. Este investimento paga o poço em menos de 1 ano.
5 – Como o condomínio pode avaliar a qualidade da água e a existência de um lençol freático na área do condomínio?
Res.Shangrilá: Para saber da existencia de lençol freático é necessario fazer um estudo geofísico. Após a perfuração do poço, o condominio passa a fazer um monitoramento diário e mensal, através de análises fisico-quimicas e microbiológicas.
Iguaçu Poços : A qualidade da água só poderá ser avaliada após a perfuração do poço, através da análises físico-química e bacteriológica . A empresa é responsável apenas por garantir que não hajam problemas bacteriológicos de qualidade da água em relação a construção do poço. Problemas por exemplo de excesso de Flúor na água, são características do meio geológico onde a mesma se encontra e não um problema de perfuração. Podem haver, embora muito raros, problemas de contaminação da água do poço construído para o seu condomínio, proveniente de outros poços artesianos, mal construídos por outras empresas e que utilizam o mesmo lençol subterrâneo. Sobre a existência do lençol subterrâneo, está condicionada a presença de fraturas (fendas, rachaduras) nas rochas ou zonas vesiculares (furos na rocha semelhantes a uma esponja). São através destas estruturas que a água circula e é armazenada. Se tais estruturas não forem encontradas durante a perfuração ou a água não conseguir atingí-las, o poço será improdutivo (seco). Não há equipamento desenvolvido pelo homem capaz de encontrar água nas rochas de maneira 100% eficiente. Em relação a cidade de Cascavel, o potencial para água subterrânea é muito grande. Dos 460 poços perfurados por nossa empresa no município, apenas 3 foram considerados improdutivos.
6 – Com a abertura do poço, o condomínio se torna isento da nova lei de cobrança individual da água através da instalação de hidrômetros?
Res.Shangrilá: Não, toda a água de dominio publico é taxada.
Iguaçu Poços : Não. O condomínio estará sujeito um dia a cobrança. No momento ela ainda não é feita no Paraná e a isenção do pagamento dessa taxa provavelmente se dará em função do consumo de cada usuário. A implementação dessa cobrança deverá ser definida pelos comitês formados para cada grande bacia hidrográfica . Por exemplo, o município de Cascavel está incluído em três bacias, dos rios Paraná, Iguaçu e Piquiri. Enquanto dentro de uma bacia, estará condicionado às exigências do referido comitê. A instalação de hidrômetros e horímetros está relacionada mais a uma exigência da concessão de outorga do que de cobrança do consumo de água. Na emissão da Portaria de Outorga, que é uma concessão de uso que o Governo do Estado confere a todos os usuários de poços, há uma exigência que obriga a instalação destes dois equipamentos apenas para controle do consumo de água, para que não haja desperdício de água e que as pessoas utilizem apenas da quantidade informada pelo o governo.
Nota: Os condomínios que possuem poço artesiano devem ter licença concedida pela CPRH (Agência Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos ), outorga do uso da água , realizar análise periódica e uma vez por providenciar uma limpeza química do poço. Já a empresa responsável pela perfuração deve ter registro no CREA – Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura , um geólogo responsável pela obra e um seguro para cobrir eventuais acidentes de trabalho. A concessionária de água instala um hidrômetro para medir apenas os resíduos que são jogados para a tubulação e o condomínio continua ainda pagando a taxa de esgoto.
7 – Existe alguma taxa cobrada para quem tem poço em condomínio?
Res.Shangrilá: A outorga (licença de exploração) e a taxa de uso de água de domínio público.
Iguaçu Poços : A cada 5 anos, a outorga deve ser renovada e a taxa de renovação é de R$ 291,00 em 2007.
8 – Existe alguma fiscalização?
Res.Shangrilá: Sim, o D.A.E.E. (Departamento de Água e Energia Elétrica) fiscaliza regularmente e através de denuncias a Anvisa (Agencia Nacional de Vigilancia Sanitaria) fiscaliza a qualidade final da água e o manejo do poço.
Iguaçu Poços : A fiscalização é muito rara de acontecer, mas quem a faz é a SUDERHSA – Superintendência de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental.
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9 – Qual a estrutura exigida para substituição da água das concessionárias por poços artesianos? Res.Shangrilá: Quanto a estrutura fisica, é necessario ter um reservatório, bombas de recalque, rede de distribuição e hidrômetros nos pontos finais. Quanto ao controle da qualidade, é necessario ter um quimico responsavel, que faz análises diarias. É necessário também fazer análises mensais, em laboratórios oficiais, além de emitir relatórios a vigilância sanitária e informes aos condôminos. Iguaçu Poços : Na verdade, após a perfuração do poço, basta apenas fazer um pedido a SANEPAR para pagamento de uma taxa mínima de água ou o corte total da ligação de água. |
10 – Qual o investimento na estação de tratamento de água?
Res.Shangrilá: Depende da escala, mais com certeza não será barato. Depois de construido, o custo é basicamente com a manutenção do sistema e com o químico responsável.
Iguaçu Poços : Sobre valores da estação de tratamento de água, sugiro falar com a empresa BRASÁGUA de Cascavel pelo telefone 45 3218-5151 ou no site www. brasagua.com
11 – Como é feito a manutenção do poço artesiano e da estação de tratamento de água?
Res.Shangrilá: O que determina a limpeza e desinfecção de um poço, é o resultado da análise físico química e bacteriológica do poço, normalmente a cada 06 meses. Já os reservatórios uma vez por ano.
Iguaçu Poços : Em relação ao poço artesiano, nossos equipamentos de bombeamento têm uma vida muito prolongada. O poço pode ficar 10, 15 até 20 anos sem que ocorra qualquer problema com a bomba. No máximo pode haver a queima de um fusível no painel da bomba cuja substituição é de um valor muito baixo.
12 – Existe algum tipo de dano causado à natureza?
Res.Shangrilá: Todo uso consciente de um recurso natural, não causa dano a natureza, mas para isso é preciso respeitar a lei e todas as regras impostas, é preciso tambem que haja fiscalização dos órgão competentes, pois o mal uso de um, contamina o lençol freático que todos utilizam.
Iguaçu Poços : Um poço bem construído não oferece qualquer risco a natureza. Como nossos poços isolam totalmente a água do solo da água subterrânea, não há risco de contaminação do lençol subterrâneo. Quando perfuramos poços , nunca solicitamos a derrubada da vegetação para a construção do poço.
Nota: Segundo alguns pesquisadores, está ocorrendo uma super exploração dos aquíferos. A cada segundo são retirados dos rios e do subsolo no Brasil 840 mil litros de água / habitante , 40% desta água é desperdiçada, ultrapassando o padrão aceito internacionalmente, que é 20%.Nos lugares onde há muitas casa e asfalto os lençóis freáticos podem ressecar, porque não há como a água da chuva penetrar no solo para reabastecê-los.
Eduardo Bertolazzi é Administrador do Residencial Shangrilá – Campinas/SP
Walter Lamb é Geólogo responsável Iguaçu Poços – Cascavel/PR
Fotos cedidas pelo Residencial Shangrilá.
Artigos sobre poços artesianos
Semelhante ao poço convencional, um poço artesiano é assim denominado quando as águas fluem naturalmente do solo, sem a necessidade de bombeamento. Geralmente a sua profundidade é maior que a de um poço convencional, e em geral suas águas são mais puras e com mais sais minerais.
Em sua utilização normal para uso residencial, as águas são captadas através de canos.

